O álcool roubou-me metade da vida 

O álcool roubou-me metade da vida

Comecei a beber cedo, e muito, e logo comecei a ter apagões e a colocar-me em situações de risco. Fui justificando, manipulando e mentido para fundamentar os meus consumos exagerados. Mesmo tendo conseguido trabalhar e constituir família, foi sempre tudo limitado pelo consumo.

Fui-me isolando e negligenciando tudo ao meu redor. Fui má filha, irmã, tia, companheira, amiga, colega, trabalhadora e principalmente MÃE. Pois menti, manipulei e roubei, abandonei tudo e todos pelo álcool. A compulsão e obsessão tomaram conta de mim. A ponto de já me sentir uma zombie, que não vivia, apenas sobrevivia (sem saber como). Já não me alimentava, não tinha quaisquer cuidados de higiene, bebia e apagava, bebia e apagava. Já não tinha energias para trabalhar ou cuidar da casa, muito menos da família. Fisicamente estava muito debilitada e emocionalmente um farrapo, num isolamento brutal. O cansaço físico e emocional de 30 anos de consumo culminaram num ciclo em que” Bebia para viver e vivia para beber.” Estava a morrer (literalmente).

Tive de pedir ajuda e encontrei AA. Um programa simples e uma rede humana excecional. A compulsão e obsessão foram-se desvanecendo, o vazio enorme foi-se preenchendo com novas rotinas, novas vivências e novos amigos. E descobri que tenho 24h de cada vez para travar a doença (não tocando no primeiro gole) e para fazer mais e melhor por mim e por todos à minha volta.

Nunca ninguém me disse que era fácil, mas via nos outros que era possível. A culpa, o remorso, a vergonha, vão sendo substituídas por perdão, aceitação e autoestima. Um dia de cada vez, vou construindo uma nova vida. Só por hoje sou uma pessoa melhor, só pelo simples facto de hoje não ter bebido.

Só por hoje, sou feliz!

Bela

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