Hoje quero partilhar a minha força, esperança, e experiência sobre um sentimento/emoção: o medo.
O medo do desconhecido, do vazio, da não aceitação, de não agradar aos outros, foi facilmente ultrapassado, e/ou camuflado com o álcool.
Começou por me dar a ilusão de superação, e até de superpoderes em todas as áreas em que me sentisse, ou previsse vir a sentir-me, desconfortável. Toldou o meu discernimento de tal forma que as atitudes “heroicas” e “insanas” trouxeram as respetivas consequências ao longo do tempo.
Com o passar do tempo, o álcool passou a ser o meu maior e mais temível medo: medo de beber, e medo de não beber.
Em AA não deixei de ter MEDO. Mas como lido com ele?
Vou encontrando e identificando as minhas características: umas mais positivas, e outras mais negativas (qualidades e defeitos).
É um trabalho diário onde aplico algumas sugestões:
- Identificá-lo;
- Assumi-lo;
- Não o alimentar com previsões futuras;
- Não criar expectativas;
- Não o comparar;
- Aceitá-lo e agir.
- Ou seja, viver o presente, o momento, focar-me na solução e não no problema, recorrendo à rede de apoio que tenho em AA, através dos companheiros e das partilhas.
Tudo isto, só por hoje, tem resultado. Os medos vão diminuindo, vão perdendo força. Porque, só por hoje, não tenho medo de sentir medo.
Só por hoje não fujo do medo, mesmo quando sinto medo.
Só por hoje evitei o meu maior medo: beber.
Só por hoje sou feliz, mesmo quando sinto medo.
Bela

